Soneca
“Sono é fraqueza”; Sempre pensei nisso. Sendo o ser humano mais chato existente neste mundo com relação aos hábitos de dormir, todos sofrem quando eu quero dormir. A luz do corredor deve permanecer apagada, todo mundo recebe uma cota máxima de ruídos que pode produzir e quem entrar no meu quarto leva chumbo.
Das 21h15min até às 06h15min, horário que o despertador inicia sua música de uma nota só, resulta em 9h de sono. Essa é a média de horas de sono que um adolescente necessita, segundo algumas pesquisas. Creio que isso tem um pouco de fator psicológico junto, sem falar na diferença de um sono bem dormido, com um bom colchão e travesseiro, e o meu sono. Seja como for, nove horas parece ser suficiente para mim.
Mas nem sempre é possível ir dormir a hora que quero. Algumas vezes o jantar atrasa, ou eu viro a noite fazendo trabalhos. Simplesmente foge do meu controle, graças a minha tremenda falta de organização com meus compromissos. E dormir 6, 4 horas não é nem um pouco agradável.
Dormindo pouco, algumas adaptações são feitas no café da manhã do dia seguinte. Uma dose extra de café preto é preparada, além de lavar o rosto antes e depois do café da manhã, e antes de sair de casa também. É possível se manter ativo assim até o almoço. Depois, bate aquela sensação de inutilidade.
Voltando ao assunto fraqueza, pense comigo. Você consulta sua agenda: nada pra fazer. Todos os seus compromissos estão em dia. O aquário de sua tartaruga está limpo e você consegue caminhar pelo seu quarto, sinal que ele está arrumado. A TV sempre está fora de cogitação aqui, e não bate aquela vontade de usar o computador. Você deveria pensar em ler um livro, uma revista, a seção de política do jornal, mas não, isso nem sequer passar pela sua cabeça. O sono é mais forte e a única vontade que seu corpo tem é… dormir. Aquele pedido que vem como um sopro no seu ouvido, tão reconfortante, tão gostoso, tão óbvio.
O corpo humano sempre fala mais alto; Ele é o patrão. Você se dirige a sua cama, puxa o cobertor, se atira, simplesmente cai naquele colchão, com a cabeça rolando pelo travesseiro. Seus braços, tão fracos, nem se prestam a puxar o cobertor para cobri-lo. Você simplesmente apaga, virando um ser inanimado.
Que nojo! Tenho repulsão a isso. É a mesma coisa que carimbar na testa: “sou inútil, e daí?”, é um atestado de vagabundagem.
Então, após breves 5 horas de sono, os olhos abrem-se lentamente, e surge aquela sensação: ainda é noite? Ops!, era dia, agora é noite. Quantas horas dormi? MEU DEUS! Cinco longas horas que não voltarão mais! Pulando da cama, correndo em direção ao banheiro, aquela primeira troca de olhares com a reflexão no espelho é cômica: cabelos tão bagunçados que chegam a tocar no teto. Na face, marcas do lençol, e a cara inchada de tanto dormir.
Mais trágico ainda é saber que esta soneca básica não adianta a longo prazo. Sacia seu sono ligeiramente, mas à noite ele não aparece, resultando em mais uma noite mal dormida, que implica numa soneca no outro dia, e assim vai. Embora considere um fracasso dormir fora de hora, não escapo da regra.
Ouvindo: Beethoven – Symphony No. 5 in C minor: Allegro
