Teoria das galinhas
As primeiras vezes que ouvi falar em Filosofia, lá pelos meus 7, 8 anos, pensei: “o que uma pessoa tem na cabeça de cursar Filosofia na universidade? Esta pessoa vai viver de quê?!”. Obviamente o meu conceito de filósofo estava tremendamente errado. Meu pai ainda até disse “dinheiro não é tudo na vida, meu filho”. Aquilo soou tão profundo que me lembro da cena até hoje.
Passado um tempo, introduziu-se em minha escola a disciplina de Filosofia no primeiro ano do Ensino Médio. E me apaixonei pela ciência de cara. Tanto é que, mesmo não possuindo Filosofia no segundo e nem no terceiro ano, formamos um grupinho dos mais interessados e nos reunimos todas as terças no colégio para discutir algumas idéias, junto com o professor.
Numa dessas discussões, entre a Teoria das Idéias de Platão, e a tragédia de Édipo-Rei, o professor apresentou uma teoria de sua autoria: a teoria das galinhas.
Passando alguns dias no sítio de seu avô, ele, sem muitas opções para se divertir, dedicou um pouco de seu tempo à observação do galinheiro. E constatou que o que uma galinha faz, as outras sempre vão atrás. Se uma vai catar milho, as outras fazem o mesmo.
Dois exemplos. Indignado com o preço abusivo do bar da escola, e com o horário mais carregado que o ano anterior, o que implica em pelo menos um lanche durante a manhã, decidi plantar uma idéia: passei a trazer lanche de casa. E o número de pessoas fazendo o mesmo foi aumentando. Dois num dia, quatro no outro e hoje a incrível marca de seis lancheiras! A moda pegou e agora felizmente o pessoal deixa de passar fome no recreio porque tem vergonha de trazer seu sanduíche de presunto e queijo.
Nem tudo são flores, entretanto. Assim como podemos nos aproveitar da teoria das galinhas para quebrar antigos tabus (no caso das lancheiras), há o lado ruim. Eu não entendo porque o ser humano tende a querer mostrar o quão imaturo é na frente dos outros. Chegam até a fazer competição: “eu tenho 5 anos a menos que você! Que legal! Bilu, bilu!”. As más lideranças sempre encontram um bando de galinhas por perto.
O que se pode fazer por um bando de cabeças que não têm personalidade, identidade suficiente para pensar por si mesmo? O que esperar dessa legião de desordeiros, dessa malta? Ainda é começo de ano, e como é de se esperar, alguns só funcionam no tranco, sob pressão. Que as bombas não demorem a chegar. Não quero passar pela mesma experiência do último dia de aula de 2003. Não neste ano.
Ouvindo: Beethoven – Romance for Violin & Orchestra No. 2 in F Major. Op. 50 (9:30)

É, Pedro, sei do que tu ta falando! E não consigo entender porque as coisas estão acontecendo dessa maneira… E o incrível é que tem gente que parece que esqueceu tudo o que viveu no final do ano passado!! Será que não foi suficiente? Bah, pra mim foi…
Comentário de Glau — 04.03.2004 às 20:13
Parece que algumas pessoas tem uma necessidade incrível de decepcionar as outras… eu não esperava tudo isso… Cada dia a coisa fica mais triste e revoltante… mas é a vida! Se alguém não consegue se importar com si mesmo, não vou ser eu que vou me matar por isso…
Comentário de Tina — 04.03.2004 às 20:30
Opa.. phalae.. tudo bom contigo?
Eu também sempre senti um atrativo bem grande pelas questões filosóficas.. eu fico contente em saber que tu mudou sua opinião à respeito.
Muita gente teima em alguns clichês com medo de simplesmente admitir que mudou de idéia a respeito de alguma coisa. Como se aprender fosse vergonhoso.
Isso que você citou como exemplo funciona mesmo.. é a tal coragem de fazer primeiro.. se alguém romper a barreira.. a galera segue atrás.
continue assim..
abraços
Comentário de Rone Amabile — 08.03.2004 às 17:29