Não faça o que faço
Um filme tão bem feito e tão forte que não recomendo que vejam. Este é o meu conselho para o filme Paixão de Cristo [imdb]. Definitivamente um dos filmes mais pesados que eu já assisti.
Sem nada pra fazer nesta pacata tarde de sexta-feira, estressado e cansado do colégio, tendo passado por uma semana muito atarefada, decidi pegar um cineminha à tarde. Fui assistir ao tão comentado e noticiado “Paixão de Cristo”, cuja direção fica a cargo de Mel Gibson.
Como muitos devem saber, sou agnóstico, ou seja, não tenho religião, não creio abertamente em Deus, embora não tenha como negar sua existência. Segundo meu professor de Literatura, todos deveriam ler pelo menos uma vez na vida a Bíblia, considerando-na como uma obra de conhecimento geral. E, de fato, isto está nos meus planos, mas certamente só depois que a poeira do vestibular baixar.
Assistindo ao filme, porém, minha vontade era de sair gritando pela sala, com os cabelos arrepiados e pulando como um louco dizendo “detenham estes homens! Jesus não merece sofrer!” As cenas são tão realísticas e de uma violência tão brutal, que dá vontade de chorar — sendo possível observar muita gente no cinema se emocionando. E como foi bem ressaltado por Chris Crain em sua resenha, tudo se agrava pois você enxerga não só um personagem de uma obra de ficção, mas todo um processo que de fato ocorreu (segundo a Bíblia, é claro). Aquele sofrimento aconteceu um dia, e sentir isto é o pior de tudo.
“Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. Este foi o mote que levei após sair da sessão. Um filme onde pais, filhos, avós e casais vão assistir e todos saem deprimidos, de cabeça baixa, sem comentário algum a fazer.
Nota 10 para Gibson, pois conseguiu criar um filme tão bem construído, com diálogos em latim, hebraico e aramaico — nada de inglês — e cenas tão realísticas, a ponto de despertar a emoção dos espectadores; mas não assistam a este filme.
Ouvindo: Symphony X - The Odyssey (24:13)
