Silêncio, por favor.

Os dias estão ficando melhores. A temperatura vem decaindo e fica mais agradável trabalhar à noite. Restando poucos dias de férias, decidi que vou disciplinar meu sono aos poucos, para não sentir a diferença no primeiro dia de aula. Ou pelo menos reduzir seus efeitos.

Continuei trabalhando num projeto para o meu pai (em breve mais detalhes), aproveitando a noite agradável e o silêncio. Mas chegou por volta das duas da madrugada e o sono começou a bater. Foi a primeira noite, desde que meu quarto ganhou ventilador de teto, que consegui dormir com ele desligado. Em parte.

Aliás, falando em dormir, sou muito chato pra isso. Para eu conseguir dormir, o ambiente deve estar bastante escuro e sem o menor sinal de qualquer ruído. E, mesmo atendendo a essas exigências, custo a pegar no sono. O pensamento sempre foge quando começo a contar carneirinhos.

Deitei, me aconcheguei na cama e já estava quase entrando no estado REM quando algo estranho entrou no sonho: meu cachorro começou a rosnar. Pensei: “Opa! Isso não é lógico. Isso não é sonho!”. Arregalei os olhos e agucei a audição. Mais um rosnado. Patas raspando no chão e “woof, woof, woof!”. Por que diabos meu cachorro iria latir às duas da manhã?

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Por que ele não fica assim para sempre?

Cessaram-se os latidos. Fechei os olhos, e reiniciei a contagem: “um carneirinho, dois carneirinhos, três carneirinhos, woof, woof, woof!” (que lindo, um marmanjo de 17 anos contando carneirinhos!). Mais latidos. E o pior de tudo é que, apesar de um animal agressivo, ele sempre fica quieto durante a noite. Algo havia de errado.

Escancarei a porta, acendi todas as luzes e tentei conversar com o animal. Ele ficou olhando com uma cara de “eu tô com fome” e eu mandando ele dormir. Não adiantou, definitivamente não falamos a mesma lígnua. Ele continuou a rosnar, correr e se atirar contra o muro, tentando me alertar que havia algo no outro terreno. Ignorei o fato e consegui levá-lo até seu recanto. Fiquei ali ao lado dele até que ele se acalmasse e então fui à cozinha preparar um lanche. Peguei o Nescau e “woof, woof, woof!”. Não, mais uma vez?

Fui lá, mandei ele parar, xinguei e não adiantou, mas ele se acalmou. Voltei à cozinha, peguei o copo e “woof, woof, woof!”. Pensei: “que se dane o cachorro. Já tentei evitar que ele acordasse a vizinhança, mas a essas alturas todos já devem estar acordados amaldiçoando o pobre cachorro.” Fiz um lanchinho ao som de “woof, woofs!”.

Voltei ao quarto, deitei na cama e fechei os olhos. Mais uma vez o ritual se iniciou. “Um carneirinho, dois … trrrróóóóóón”. Oh não! O interfone do vizinho! Quem será o maldito que foi apertar o interfone às três da manhã? Só pode ser um folião bêbado voltando da farra. Passaram-se cinco, dez minutos e nada do interfone parar. Ele entrara em curto! Será que só eu escuto isso ou estou biruta mesmo? Abri a janela, e confirmei que era o interfone do vizinho. Como se não bastasse, meu cachorro começou a latir em resposta ao barulho. Silêncio, por favor!

A solução foi fechar as janelas e me sufocar dentro do meu próprio quarto. E tentar imaginar que o barulho não existia, que aquele maldito som não estava se propagando pela noite, que minha cabeça não estava latejando e que meu cachorro estava dormindo tranqüilamente no canil. Que nada! Era uma barulheira infernal mesmo.

Mas a noite foi boa. Nem sei por quê acordei mau-humorado e com dores no corpo…

Ouvindo: Rhapsody - The Queen of the Dark Horizons (13:42)

Comentários »

  1. Apesar de não comentar, eu sempre leio você, e como quase sempre, foi impossivel não rir :) Eu costumava ser assim, igual você para dormir, era um stress maluco aqui em casa quando eu não dormia bem, mas faz uns 2 anos que as coisas melhoraram. Hoje durmo ate no onibus se precisar, rs. Lindo seu cachorrinho :) E obrigada por apoiar meus sentimentos em relação à melhora do mundo, é sempre bom encontrar pessoas com bons ideais :) Vê se vc se cuida e da proxima vez alimenta seu dog antes de dormir, rs… bjos

    Comentário de Nizynha — 22.02.2004 às 18:27

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