Mestre dos detalhes

Um filme tenso que prende sua atenção até o fim, rico em detalhes. Este é O Mestre dos Mares: O lado mais distante do mundo [imdb], filme fortemente baseado no décimo volume de coleção de 20 romances escritos por Patrick O’Brian, sobre as aventuras marítmas de Jack Aubrey e Stephen Maturin, obras que serão publicadas aqui no Brasil em breve.

Peter Weir, o mesmo diretor de A Sociedade dos Poetas Mortos, caprichou nos detalhes do filme, esbanjando nos efeitos especiais para criar cenas muito próximas à realidade, sem falar na riqueza da linguagem náutica e na bela customização dos personagens.

Russell Crowe, por sua vez, demonstrou novamente sua qualidade como ator, já comprovada em Gladiador e Uma Mente Brilhante, interpretando o papel de Jack Aubrey, capitão do navio inglês HMS Surprise.

Durante o período do auge de Napoleão Bonaparte, Jack fica encarregado de interceptar um poderoso corsário francês chamado Acheron, mais rápido e bem equipado que seu navio. A perseguição sem fim do navio francês se dá na costa da América do Sul, incluindo, é claro, o Brasil.

Stephen Maturin, interpretado com louvor por Paul Bettany, tem grande importância na trama, sendo um grande amigo e confidente de seu capitão, bem como o médico oficial do navio. Muitas vezes, porém, Stephen questiona até que ponto a caça ao navio francês pode ser considerado um dever ou se tudo não passa da ambição de Jack. Ele também desemepenha um papel análogo ao de Charles Darwin (conhecido por sua teoria da evolução humana), pois, assim como Darwin, Stephen estava uma expedição britânica, tinha grande interesse pela classificação das espécies e coletou diversas delas nas ilhas de Galápagos.

Entretanto, para que espera algo mais do que ação e o submundo dos navios de guerra deve procurar outro filme, pois em Mestre dos Mares não há uma trama amorosa (a não ser pequenas menções a esposas e amantes) e as poucas mulheres que aparecem no filme são vistas apenas de relance. Fórmula que, por sinal, foi do meu agrado, evitando aquela quebra da condução da narrativa observada em Pearl Harbor.

O filme arrematou 10 indicações ao Oscar, incluindo o de melhor filme. E tudo indica que haverá uma continuação do filme, que acaba com uma dúvida pairando no ar. Vale a pena conferir.

Ouvindo: Rage Against the Machine – Killing in the name (5:14)

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