Curumim
Dia 23 de janeiro fui ao médico pela manhã para fazer a última revisão da minha mão, que havia sido mastigada por um cachorro dias antes. O médico verificou a mão, retirou o ponto e me liberou. Finalmente eu estava livre para poder ir à praia!
Após arrumar as malas e conferir a checklist umas cinco vezes, abastecemos o carro e partimos rumo ao descanço e ao mar. No caminho, na Freeway, avistamos de longe um ponto de fumaça, que logo mais descobrimos que era uma Kombi enfrentando sérios problemas.
Felizmente a casa da praia estava relativamente limpa e não tivemos muito trabalho em colocá-la em ordem. Já no começo da tarde minha irmã partiu de volta a São Leopoldo e eu fui cortar a grama, que mais parecia um mato. Após o trabalho duro, nada melhor que um banho de mar como recompensa! E olha que eu já contava os dias para que isso ocorresse. Peguei minha prancha e, mesmo com a mão ainda cheia de arranhões, me atirei no mar gelado com tudo!
A rotina dos dias que se seguiram a nossa chegada não sofreu alterações. Todo dia acordando tarde e dormindo cedo, tamanho o cansaço. Não raras foram as vezes em que cheguei a ficar 4 horas levando tombos e mais tombos dentro do mar, voltando só quando o sol se escondia. Dentro do mar, o calor do dia misturava-se com o frio da água, com ondas cada dia maiores.
Quando muito, saíamos à noite para buscar crepes (e infelizmente nossa plantação de palitos de crepe não deu frutos), tomar sorvete ou comer um xis. Num fim de semana, porém, alarmados pelo barulho, fomos assistir a uma apresentação da equipe Só Zerinho, que se deu na “sociedade” de Curumim. Foi um espetáculo fantástico, embora a apresentação tenha sido prejudicada devido a má qualidade da pista. Mas fiquei pasmo ao ver o motor de uma moto incandescente (laranja mesmo!). Muito, mas muito legal mesmo.
Aproveitei o período lá para ler um pouco mais do que o habitual fugindo, assim, dos computadores. Até havia uma Lan House lá (onde o dono da loja não sabia nem como se escreve os nomes dos jogos que estão instalados, como “Hi” Life, por exemplo). Pude ler boa parte dos livros que eu queria ler nas férias:
- 1984, de George Orwell;
- Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley;
- O Mundo de Sofia, de Jostein Gaarder.
Todos excelentes, com o maior destaque para O Mundo de Sofia, que é sensacional, tanto no plano da fantasia como em seu caráter de ensino e cultura. Além de ler e tomar banho de mar, também tive a oportunidade de tirar algumas fotos, fato que levou eu abrir uma nova galeria de fotos aqui no blog.
Contrariando minhas expectativas, acabei não indo ao Planeta Atlântida deste ano. A princípio estava tudo planejado, inclusive nos dois dias haviam bandas do meu agrado. Entretanto, um dia antes do show, minha irmã ligou avisando que não iria mais porque seu namorado não queria e, portanto, adeus ingressos! Meu Planeta Atlântida se resumiu ao seguinte:
- Levei duas horas para cortar toda a grama de casa;
- Saí para correr na praia por meia hora, para conter a agitação;
- Tomei chimarrão e voltei pra praia, desta vez para tomar um banho de mar e encontrei o irmão da Deffaci lá;
Pô, até que foi divertido, apesar de todos os meus amigos dizerem que eu perdi a maior festa da minha vida (como se não bastasse o fato de eu já ter perdido, aparecem martelos dizendo que eu não só perdi uma festa qualquer, como a maior e melhor festa de todos os tempos). Mas fazer o que, por mais que eu quisesse ir, tudo fugiu do meu controle. Quem sabe em 2005…
Apesar da solidão e da saudade dos amigos, bons foram os dias em que passei na cidadezinha. O lugar é pequeno, tranqüilo e o mar é “flor de especial” em termos de ondas. E ostentei o título de nenhum banho de mar perdido enquanto estive lá. Sob chuva forte ou sol escaldante, com raios ou o nordestão levando guarda-sóis, lá estavam minha prancha e eu, na arrebentação de um mar bandeira-vermelha e rebelde. Mesmo sentido saudades daqui estando lá, agora sinto saudades de lá estando aqui.

O por do sol de Curumim.
A chegada aqui na cidade foi muito conturbada. Após duas horas sentado no banco do carro trafegando pelas estradas pouco movimentadas, iniciamos o processo de desocupação do carro, removendo todas as malas, sacolas, cobertores e travesseiros do mesmo. Após uma rápida troca de telefones e uma visitinha à minha vó, finalmente dar uma conferida aqui na bagaça. Pra começar, tive de ressuscitar meu antigo amplificador, já que minha irmã queimou o meu som ao querer dar uma “festinha” aqui em casa, enquanto eu estava fora. Com o som reestabelescido, fui checar os e-mails.
Nada mais, nada menos que 947 mensagens me esperavam, sendo que apenas um décimo acabou caindo na caixa de entrada principal, contendo comentários do blog, piadas, pedidos e desabafos. A maior parte das outras mensagens eram de listas de discussão e newsletters, sem falar nos mais de 240 spams, que me importunam cada vez mais (embora apenas uns 10 dentre o total tenha passado pelos filtros). Quando falei que precisava de tempo para colocar tudo em ordem, não estava brincando. Mas felizmente, tudo está sob controle novamente.

Muitos e-mails me aguardando.
Ouvindo: Marcelo D2 – À procura da batida perfeita (3:03)
