Dose dupla

Ontem assisti ao filme O primeiro milhão [imdb] que passou no Cine Belas Artes do SBT, estrelando Giovanni Ribisi, Vin Diesel e Ben Affleck.

Após ter abandonado a escola, Seth Davis (Giovanni Ribisi) monta um cassino clandestino em sua própria casa. Ao ficar sabendo disso, seu pai o rejeita e ordena que procure um emprego decente. Surge então a oportunidade de Seth trabalhar numa instituição financeira.

O filme trata de diversos temas polêmicos, como o relacionamento problemático entre pais e filhos e a corrida desesperada pelo dinheiro que elimina todos os princípios e valores do homem, como a especulação no mercado acionário e como a persuasão é capaz de fazer o sujeito pensar que está fazendo a coisa certa, quando na verdade é justamente o oposto.

Instalado confortavelmente no sofá da sala, esperei a próxima atração após o filme, e qual não foi a minha surpresa ao ver um dos primeiros (se não o primeiro) documentário do famoso Michael Moore (vencedor do Oscar de melhor documentário em Tiros em Columbine, comentado no blog), Roger & Eu [imdb], que conta um pouco sobre sua cidade natal, Flint, no estado de Michiagan nos EUA e sua decadência após o fechamento da fábrica da GM local e o conseqüente despejo de 30.000 funcionários.

Sendo um dos pilares da economia local, com a saída da GM, Flint ficou completamente desestruturada, pois não tinha como socorrer a massa de desempregados. Com isto, os índices de criminalidade e desabrigados aumentaram espantosamente.

Quais foram as soluções que o governo tomou? Várias, mas todas sem sucesso. Tentaram investir no turismo, trazendo atrações e criando infra-estrutura, mas não adiantou em nada. Passaram então a empregar os desempregados nos presídios, para comportar os criminosos que eram mais numerosos dia após dia. Construiram então um novo presídio, maior e mais moderno, com o intuito de atacar de vez o problema. Que estupidez.

Mas não é só de tragédia que o documentário é feito. Com muito humor, Michael consegue conduzir sua história de uma forma muito peculiar e engraçada. Sendo muito cara-de-pau, é de perder a conta quantas vezes ele é barrado em suas tentativas frustradas para falar com Roger Smith, presidente do grupo GM na época. Engraçado mas ao mesmo tempo frustrante e chega dar pena, pois são inúmeras as situações em que é humilhado ou rejeitado publicamente. Então, ele baixa a cabeça, com seu clássico boné “depositado” sobre a cabeça, e promete voltar, não se deixando abalar pelas dificuldades e mostrando-se um exemplo de persistência.

Um aspecto interessante a ser ressaltado é a problemática de se apoiar demais em coisas que podem lhe tirar, como o dinheiro dos vigaristas no filme, onde suas vidas giravam em torno do dinheiro apenas, e da GM no documentário. E neste ponto sou obrigado a concordar com os filósofos estócios; conserve sua integridade e não supervalorize aquilo que podem lhe tirar. E isto vale para muitas coisas.

Ouvindo: Beethoven – Moonlight Sonata Op. 27/2 (6:21)

Comentários »

  1. este rapaz esta “trabalhando” muito…q tá fazendo por ai? domingo tb é dia d trabaia!
    hehehe

    Comentário de acs — 12.01.2004 às 00:07

  2. dae guri? então é isso que faz nas férias, é??? OK, ok, tmb é o que eu faço, mas isso não vem ao caso…;)
    espero que as férias estejam indo bem…ah, por sinal esqueci de falar uma coisa antes…depois te falo…

    Comentário de Amanda — 13.01.2004 às 01:06

  3. estou linkada, iei! obrigado, volte sempre…

    Comentário de Amanda — 13.01.2004 às 01:08

  4. bah, agora tu que tá pegando os post recém saidos…hoje de manha entrei no weblogger e quando visualizei o blog vi teu comment…tu tá querendo roubar meu lugar mesmo, né? primeiro o negócio do icq, depois isso…affff…

    brinks…te adoro guri…bjos

    Comentário de Amanda — 13.01.2004 às 22:35

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