“O som está baixo. O som está baixo! Aê! Aumentaram o volume”. Confesso que fiquei arrepiado quando aquelas letrinhas verdes começaram a cair por toda a tela. Eu mal estava acreditando estar vendo Matrix Revolutions [imdb] no dia de sua estréia mundial. Confesso também que virei um fã do Matrix ao ver o primeiro filme, mas que fiquei um pouco desapontado com o segundo.
Até a metade do filme eu continuei desapontando. Pensei que os Wachowskis tinham perdido a linha do primeiro filme e que não seria muito mais que uma mera continuação do segundo filme. E então entraram aqueles robôs.
“Eu odeio robôs”. Odiava. Não vou contar o filme todo por que não tem graça (odeio quando fazem isso). Mas adianto que a cena com os robôs ficou muito bem feita, muito mesmo. Ficou um pouco com cara de Exterminador do Futuro, mas ficou bom.
Mas a cena que mais vale a pena durante todo o filme é a última, pra variar. A luta final entre Neo e o agente Smith é espetacular. Se no primeiro Matrix houve uma revolução com o efeito Bullet Time, neste há o Punch Time, que irá revolucionar tudo aquilo que se verá daqui em diante nas telas. Agora até a espressão facial é retardada pelo efeito, mostrando a careta que Smith faz ao levar um soco de Neo, enquanto sua mão toca os pingos de chuva que o separa do agente e a câmera dá um giro de 360°. É de tirar o fôlego.
O que me desagradou no filme foi o excesso de cenas românticas. Até é bonitinho o casal Neo e Trinity, mas misturar romance num filme de ação é um pouco entediante. Embora isto tenha criado a oportunidade de prestar atenção no sistema de ventilação do cinema, que por sinal estava funcionando.
Como era de se esperar, diversas questões filosóficas são levantadas durante o filme, o que eu achei bem legal. O que ficou um tanto constrangedor foi o remendo que teve de ser feito para substituir a atriz que interpretava o Oráculo, que morreu após as gravações do segundo filme. E mais! O agente Smith ganhou um óculos Reloaded. Pelo menos a armação é diferente da usada nos dois primeiros filmes, mas até que não é muito diferente.
Não sei se posso considerá-lo melhor que o primeiro filme. Pela diferença exorbitante de orçamento, dou um crédito ao primeiro filme, mas certamente esta terceira e última parte da triologia é muito superior à sua antecessora, na minha humilde opinião. Valeu a pena!
Ouvindo: Nenhum de Nós – Camila [ao vivo] (6:46)