Meus pequenos companheiros

Sexta eu estava discutindo com uma colega sobre a vida, nossos problemas, amizade, etc. Começo a argumentar sobre um problema em especial e como eu estava lidando com ele, o que me fez lembrar de um filme.

Fui obrigado a ir até a locadora e retirar mais uma vez o filme, que já havia visto há tempos, além de saber a história de cor. Mesmo assim, valeu a pena rever um dos melhores filmes que já vi: Uma Mente Brilhante [imdb], com ótima atuação de Russell Crowe (de Gladiador [imdb]).

Para quem nunca olhou, recomendo: olhem, pois o filme é muito bom mesmo. A trama do filme é baseada na biografia de um brilhante matemático chamado John Forbes Nash, vencedor do Prêmio Nobel de economia em 1994. Nash sofria de esquizofrenia, uma doença mental que tem como característica a desconexão do real e o imaginário (The Matrix?) e torna-se paranóico, pensando ser perseguido por Russos em plena Guerra Fria.

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A mão errada

Faço parte da minoria que escreve com a mão esquerda, a qual é representada por apenas 13% da população mundial. Ao longo da história, tivemos muitos famosos representando esta minoria: Leonardo da Vinci, Michelangelo, Ludwig van Beethoven, Benjamin Franklin, Isaac Newton e Albert Einstein; todos eram canhotos.

Entretanto, somos discriminados o tempo todo. Afinal, por que planejar um produto para uma pequena minoria se a outra parte tem 87%? Mouses, ferramentas e outros utensílios são feitos para destros. Canetas são, em sua grande maioria, projetadas para destros, apesar de que o jeito de segurá-las independe da condição de ser canhoto.

Assim como Garrett LeSage, eu também não gosto de escrever à mão e, quando escrevo para alguém à mão, é porque o motivo é especial. O primeiro motivo é que consigo digitar muito mais rápido do que consigo escrever à mão, mas esta não é a principal causa.

O pior problema são as canetas. Bem que eu gosto das canetas BIC, mas elas não servem para mim. Devido ao meu jeito não usual de segurar a caneta, eu acabo passando a mão por cima de tudo que eu escrevo, ou seja, a secagem da tinta deve ser extremamente rápida. Portanto, sempre que compro novas canetas, de preferência com ponta fina, faço um rápido teste de escrever uma palavra num papel e passar o dedo logo após escrevê-la. Se borrar, a caneta não presta.

Outro motivo que me chateia profundamente é que, após escrever por muito tempo à mão, meu pulso começa a doer (tenho o costume de segurar a caneta com muita força). Fora quando as “classes” (palavra meio fora de moda hoje em dia) não são feitas tendo os canhotos em mente. Aí sim, minha coluna fica toda torta e sou obrigado a fazer pausas de tempos em tempos.

Portanto, saiba. Tenho dificuldades em escrever à mão. Prefiro mil vezes falar ou digitar um texto. E se um dia você receber um cartão meu, pode ter certeza que eu realmente precisava fazê-lo, pois os contras são muito maiores que os prós :)

Ouvindo: Gwenyth Paltrow & Huey Lewis – Cruisin’ Together (4:56)

Estúdio vs. Ao vivo

Há tempos venho comparando álbuns gravados em estúdio e aqueles que foram gravados ao vivo durante shows. De um modo geral, aprecio muito mais os CDs ao vivo do que os gravados em estúdio, ao contrário da Rafa :)

Um disco gravado durante um show consegue, na maioria das vezes, captar todo o ambiente, o público cantando junto, as gafes, os improvisos e a aprovação (ou reprovação) quanto à performance da música. Há músicas que são completamente sem vida em suas versões originais, mas que ganham uma nova roupagem e emoção durante o show, graças ao talento dos músicos.

Para exemplificar, posso comparar álbuns de várias bandas aqui. O épico de 25 minutos A change of seasons (bem como todas as músicas do álbum), da banda Dream Theater presente no álbum Live scenes from New York (2001) parece ser uma música completamente diferente da versão original do álbum A change of seasons (1995). A interpretação e a emoção adquirida perante o palco dão vida à música, coisa que não se consegue dentro de um estúdio.

O álbum Splendour in the Grass, da banda britânica Coldplay, é um dos meus preferidos, apesar de não existir uma versão oficial do álbum. Há inclusive uma crise de tosse no meio da música The Scientist, que é remendada com um “I’ve just fucked it up” e gargalhadas, sem interromper a música.

É na hora do pânico, do “vamos ver” que se vê a competência de um músico. No estúdio é possível repetir, repetir, ajeitar aqui, remendar acolá e até deixar que o computador faça o trabalho de muitos músicos. E assim, tudo acaba ficando tão regular, frio, sem emoção…

Mas nada como estar presente em um show. Nada substitui a emoção de estar presente na platéia, vendo, ouvindo, sentindo, pulando, gritando, e ficando com dor de cabeça após o show e sem voz no dia seguinte. É uma pena que eu não seja tão atento aos eventos que ocorrem pela região, pois gostaria de ver muitos outros espetáculos.

Ouvindo: Limp Bizkit – Gimme the mic (3:05)

Onde vamos parar?

Sábado, como eu havia relatado anteriormente, roubaram o carro da minha irmã. Ela estava fazendo sua visita diária ao salão de beleza (nunca vi como pode passar tanto tempo naquele lugar, apesar dela dizer o mesmo pra mim com relação ao meu quarto) quando dois “indivíduos”, aparentando ter não mais do que 16 anos, entraram no salão, armados, e começaram a fazer a limpa.

Levaram tudo. Dinheiro, documentos, carteira, bolsa, chaves, um casaco que estava com ela e, é claro, o carro. Não preciso dizer que ela entrou em parafuso, pois haviam roubado sua coletânea de 12 CDs que estava no carro e seu celular que não havia nem um mês de uso. E o carro! Menos mal que foi só isso; Poderia ter sido pior.

O fim de semana foi maluco. Meu pai ao saber da notícia teve a cor de vários dos seus fios de cabelo alterada definitivamente para branco, sem contar na caixa de Tylenol que ele deve ter ingerido. Minha mãe começou a culpar os políticos (e até agora não parou) e eu só de fora, tentando não me envolver. “Laissez faire, laissez passez.”

Mas eu tinha que fazer um relato do ocorrido. Não bastasse o roubo do carro, levaram tudo que podiam levar do carro e quando viram que não havia mais o que levar, colocaram fogo no carro. Agora me digam: por que colocar fogo no carro? O que justifica este ato? Eu não entendo.

A vida e as condições que estes jovens têm são, sem dúvida, precárias. Mas de acordo com sábias palavras, “isto até pode explicar [o roubo], mas não justifica!” Não justifica mesmo. É duro… Com uma multidão como esta emergindo, o que esperar do futuro da nação? E o que fazer para mudá-lo para um caminho melhor? Certamente culpando os outros é que não está a solução. Mas como consertar aquilo que está errado?

Tenho orgulho de ser brasileiro, mas as vezes tenho vergonha de ser um cidadão que é incapaz de fazer a diferença para sua pátria. E estou preocupado…

Ouvindo: Gabriel, o Pensador – Mandei avisar [ao vivo] (4:01)

Lidando com problemas

“Laissez faire, laissez passez, le monde va de lui-même” (deixe estar, deixe passar, o mundo caminha por si)

“Opa? Eu já ouvi essa frase, não?” — Alguns estudantes devem estar se perguntando. Sim, esta frase vem do século XVIII, cunhada por economistas franceses que defendiam a livre economia. Mas reparem na beleza desta frase, em sua harmonia. “Clic!”

Um estalo. Demorou uns quatro anos para que esta frase fosse digerida pelo meu cérebro e fizesse alguma mudança em minha vida. Gente minha, como eu tenho mania de aumentar meus problemas e esquecer das coisas boas. Poxa, basta aplicar a teoria da livre economia aos problemas, às pedras que estão em meu caminho. Afinal, estamos na primavera! Temos o direito de ficarmos emburrados? A resposta é não.

Tenho 3.000 motivos para ficar de mau humor hoje: acordei cedo (06h45min), fui mal no simulado do colégio, comi demais no almoço, “trabalhei” à tardinha, fiquei dopado desse mundo de remédio que estou tomando pra gripe, roubaram o carro da minha irmã e ainda por cima todo mundo ficou mal-humorado aqui em casa. E daí? “Laissez faire, laissez passez, le monde va de lui-même” :) — Não é porque o mundo todo vai se atirar de um prédio que eu vou também.

Ouvindo: Iron Maiden – Dance of death (8:36)

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