Noite de domingo é coisa triste. Bate uma depressão do inferno e falta sono. Olhei o DVD do Nenhum e vim dar uma conferida aqui no PC. Fui acabar indo pra cama lá pelas onze da noite e aí começou um daqueles momentos maravilhosos: sei que devo dormir mas não sinto sono.
Sinto frio e coloco dois cobertores. Passo calor e tiro um dos cobertores. Mais calor; tiro a calça de pijama. Até aí já passou uma hora. Sem ter o que fazer, cheguei ao cúmulo de pegar meu dicionário de inglês e ler as caixas com vocabulário ilustrado e listas de expressões. Adoro ficar olhando estes quadrinhos, sempre aprendo um monte lendo as expressões contidas neles.
Larguei o dicionário, deitei, rolei na cama, virei pra um lado, pro outro e vi que não tinha jeito. Sentei na cama, me alonguei, mexi a cabeça, fiz o pescoço estralar, me acalmei, controlei a respiração e fui pra mais uma tentativa.
Eu estava quase pegando no sono. Já estava até semi-acordado, quase sonhando. Mas daí meu cachorro, que sempre é uma múmia durante a noite, — a coisa que ele mais gosta além de comer como um porco é dormir — resolveu latir. Ele ficou latindo por uma meia hora e eu me perguntando se deveria me levantar e tocar uma pedra nele, ou se pegava o cacetete e enchia ele de porrada, ou se ficava deitado na cama esperando que ele parasse de latir. Como membro da sociedade dos preguiçosos de plantão, optei pela terceita opção. Fiquei deitado ouvindo ele latir por uma meia hora.
Levantar após ter dormido três ou quatro horas é algo maravilhoso. Me forcei a tomar café preto para manter um leve nível de percepção das coisas que estavam ao meu redor e fui supreendido com a notícia de que havia um gambá dormindo na sacada. Na hora que ouvi isso entrou por um lado e saiu pelo outro; eu estava morrendo de fome e a nega-maluca estava uma delícia.
Chego em casa, vindo do colégio, e vejo o quarto do meu pai todo fechado. Opa! Tem coisa errada. E só quando eu estava almoçando e que minha mãe repetiu a notícia que eu consigui estabelecer alguma relação entre o quarto com o cachorro e o gambá. Óbvio: o gambá atravessou o pátio, meu cachorro saiu latindo atrás dele e o bicho se alojou na sacada.
De vez em quando brota um fedor que, olha, é do inferno, pra não dizer outra coisa. Eita bichinho fedorento. E o pior é que minha mãe, como praticante de carteirinha da Sociedade Protetora dos Animais, não deixa ninguém tirar o maldito bicho de lá antes que anoiteça, pois ele tem “hábitos noturnos”. Aposto que é o mesmo gambá desaforado que meu cachorro atacou uma vez no pátio e voltou aqui em casa só pra se vingar e espalhar seu perfume agradável pela casa. Eu mereço…
Ouvindo: Dream Theater - Trial of tears [live] (14:10)