Onde está a sociedade do ócio?
Nos primórdios da Revolução Industrial sonhava-se com um mundo onde os seres humanos passariam a trabalhar cada vez menos e aproveitar cada vez mais o ócio. Já se passaram dois séculos e nada desse mundo tornar-se real.
O computador, que revolucionou não só a escrita, mas também permitiu um grande avanço em todas as áreas de conhecimento, veio com o pretexto de auxiliar a fazer mais em menos tempo. Então por que passamos cada vez mais tempo na frente das telinhas?
Reformulando um pouco a teoria malthusiana, poderíamos dizer que as facilidades que a tecnologia traz crescem em progressão aritmética, enquanto os problemas crescem em progressão geométrica
Antes que a luz elétrica invadisse as cidades, as pessoas poderiam até se matar trabalhando durante o dia, mas chegava o crepúsculo e não havia mais o que fazer a não ser dormir e, bem… naquela época não havia televisão. Mas hoje, além de trabalharem feito escravos, ainda trazem trabalho e as preocupações do dia-a-dia para casa. E onde foi parar o ócio?
Tudo indica que com todo este avanço científico que tivemos nos últimos séculos, os pré-requisitos são cada vez maiores e força-se a estudar cada vez mais antes de ingressar no mercado de trabalho. Além do segundo grau, ainda deve-se cursar uma Universidade e quem sabe até tirar um diploma de mestrado ou doutorado. E só então ingressa-se no mercado de trabalho, o sujeito tendo, a esta altura, seus 30 anos.
E onde está o ócio? Acorde! Ele não está solto por aí não e não adianta ficar esperando que ele venha de mãos beijadas (se estiver, me avisem, eu vou correndo buscá-lo!); é preciso aprender a cultivá-lo, antes que seja tarde. Esperar para que algo aconteça de braços cruzados não adianta nada (e você ainda fica louco — sério!); é preciso lutar pelos objetivos. Nada se obtem sem um pouco de esforço. “Mas só esforço também não basta!”
Ouvindo: Iron Maiden – Dance of Death (8:36)
